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[Resenha] Azar o Seu, Carol Sabar

terça-feira, janeiro 09, 2018


Editora Jangada, 2013, 367 páginas, SKOOB

Ana Beatriz, Bia para os mais íntimos, é uma garota de 25 anos que mora na casa de seu pai em Juiz de Fora. Ela fora demitida- por justa causa- de seu promissor emprego na Ferrovias Brasil Logística (FB Logística), empresa situada no Rio de Janeiro, após acusações de assédio sexual feitas por seu estagiário, barrigudo e careca, de 19 anos. Eis que ela se vê obrigada a ir até Angra dos Reis para representar a família no velório da esposa do tio de seu pai, já que eles nem se falavam após o fim de uma sociedade que nem se iniciou direito. E lá a maré de azar de Bia- que começou quando seu primeiro e único amor partiu para a Inglaterra- se faz presente. De novo.


“Se eu fosse escrever um guia de autoajuda para garotas azaradas, desempregadas, endividadas, carentes, mal-amadas e, por tudo isso, desesperadas, eis a primeira das 1001 dicas que eu daria: ‘Nunca dê uns amassos no seu primo. Nunca. Never. Jamé. ”

Após uns amassos, muito mal dados em Jair, seu primo de segundo grau, numa área erma do cemitério, Bia estava decidida a esquecer o que acabara de acontecer, ou morreria de arrependimento, ela é convencida por seu tio a passar a noite na cidade para evitar de pegar a tempestade que acabara de se formar. No outro dia de manhã ela põe o pé na estrada, dirigindo a Kombi da floricultura de seu pai, rumo a sua terra natal. Até ficar presa em um (senhor) engarrafamento na Linha Vermelha, já na Cidade Maravilhosa. Ótimo! Chuva, trânsito parado e muito, mas muito tempo sozinha pra se arrepender do rolo com Jair. Maravilha! Nada mais podia vir pra piorar... Mas sempre dá pra piorar... Com sede, sem nada pra beber, ela é reconhecida pelo cara que teve a audácia de comprar a última garrafa d’água que o menininho estava vendendo. Mas ela não o reconhece. Pensa que acabou? Enquanto o rapaz está em suas tentativas de aproximação, um tiroteio daqueles começa.


“E justo quando eu realmente achava que meu sábado não podia piorar, o Sr. Desperdício abriu a porta do Vectra GT e saltou para a chuva. Mas eu não tive tempo de saber pra onde ele ia. Porque foi também nesse instante que o tiroteio começou. ”

Ela e o Cara- novo nome do Sr. Desperdício- conseguem fugir da troca de tiros sãos e salvos, e voltam juntos a Juiz de Fora. É nessa viagem que uma grande amizade começa, ou é reatada.

Guga Vitorazzi, sua grande paixão desde sempre, é irmão Raíssa, sua ex melhor amiga de infância. Ele e Bia não se falam há 10 anos, quando ele se mudou do Brasil para a Inglaterra no intuito de estudar música- 15 dias após o primeiro beijo deles- e nunca ligou, mandou uma carta ou deixou um recadinho na rede social para ela. Depois que ele partiu e ela e Raíssa brigaram por um motivo besta, tudo que Bia guardava da família Vitorazzi eram lembranças boas e saudades, muitas saudades. O que ela não sabia era que aquele cara bonitão que nesse momento estava guiando sua Kombi era o grande amor de sua vida, o homem com quem ela se imaginara trilhões de vezes, o homem com o qual sempre sonhou, o homem que foi embora há 10 anos e nunca deu nem sinal de vida, que deixou seu coração partido. 


Devo confessar que a princípio eu não gostei muito da história. E olha que eu amo romances água com açúcar! Bia se mostrou a princípio uma garota que só reclamava e se arrependia das coisas que fizera. Mas com o decorrer da leitura eu pude conhecer mais a sua personalidade e seus motivos para ser assim. Ver a amizade dela com Raíssa e Guga na infância e adolescência, muito citada no livro, me fez lembrar da minha própria infância e o valor que a amizade deles tem na vida de Bia é ímpar! Posso dizer que no fim das contas eu gostei do livro, muito mais do que eu imaginei gostar depois das primeiras páginas. A história vai muito além do romance de Bia e Guga. Carol Sabar soube retratar muito bem a importância da família e dos amigos, o companheirismo de Bia e Raíssa e a falta de autoconfiança que Bia costumava intitular como maré de azar, tudo isso com uma pitada de comédia, que deixava mesmo os momentos mais sérios da história um pouco mais leves. A edição é maravilhosa! A capa é bonita e representa bem a história. O texto não é escrito com uma fonte muito pequena, o que facilita bastante a leitura. 

2 comentários:

  1. Confesso que esse livro nunca me chamou muita atenção, mas pela sua resenha posso ver que podemos nos surpreender com a leitura e quem sabe deixar o preconceito para trás embarcando na leitura. Vou dar uma chance!

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    1. Amiga, vale muito a pena dar uma chance!
      Fiquei com o pé atrás por mais da metade do livro, mas no fim tudo se resolve! É bem gostosa a história!

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