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[Resenha] Kindred: Laços de sangue, Octavia E. Butler

quarta-feira, janeiro 03, 2018


Editora Morro Branco, 2017, 432 páginas. SKOOB.

“ Já tinha visto pessoas serem surradas na televisão e nos filmes. Já vi sangue falso nas costas delas e ouvido gritos bem ensaiados. Mas não havia ficado perto e sentido o cheiro do suor nem ouvido as súplicas e orações das pessoas humilhadas diante de suas famílias e de si mesmas.”

Em 1976 Dana está feliz com seu marido Kevin, se mudando para uma nova casa. Mas no seu aniversário de 26 anos é levada para uma Maryland pré Guerra Civil em 1815 onde os negros ainda são escravizados. Depois de salvar a vida de um garotinho chamado Rufus, ela volta para a sua realidade, mas mal sabia ela que eles estavam ligados. Ela também não sabia que essa seria apenas a primeira vez de muitas em que ela seria arrastada da sua realidade para salvá-lo quando ele estivesse em apuros.

Ele branco, ela negra. O parentesco dos dois podia não parecer óbvio à primeira vista, mas apesar disso, ela conseguiu descobrir a respeito, e vai fazer de tudo para salvá-lo. Numa época em que pessoas da sua cor eram subjugadas e abusadas, era arriscado não ser ignorante. Dana como uma mulher que sabe ler, ainda melhor que muita gente branca daquela época, vai descobrir que saber demais representa um grande risco. Nessas viagens, ela vai ter que fazer muito mais do que salvar Rufus, vai ter que salvar a si mesma.

“ – A facilidade. Nós, as crianças... Não sabia que as pessoas podiam ser condicionadas com tanta facilidade a aceitarem a escravidão.”

Há muita coisa a se dizer a respeito desse livro. A primeira delas é que esse é aquele tipo de livro que todo mundo deveria ler. A segunda é que é impressionante como um livro escrito há tanto tempo – que fala sobre um período ainda mais remoto – é capaz de ter uma escrita tão fluida que deixa a leitura tão gostosa que pode ser lido em poucas horas. A terceira é que nós temos facilidade de aceitar o preconceito. Seja em 1817, 1976 ou 2018. Não só lendo as suas idas ao passado mas vendo o presente de Dana, nós podemos ver que o preconceito que nos divide pela cor está arraigado. Esse livro é lindo, mas é doloroso, porque ele fala de coisas que precisam ser mudadas, mas que muitas vezes nós não queremos parar para pensar a respeito.


Não tenho costume de ler ficção científica, provavelmente por pensar que ficção se resume a “Guia do mochileiro das galáxias”, que é uma série que ainda não me conquistou. No caso desse livro é uma história profunda, cruel às vezes, que narra a violência, a indecisão, a humanidade com todas as suas forças e fraquezas. Com certeza eu quero ler mais do que a Octavia escreveu e dar uma chance a esse gênero. Amei a diagramação do livro, a tradução e edição impecável, as páginas e divisórias das partes do livro. A única coisa que não me agradou foi o fato de que a edição que eu comprei não possui orelhas (não sei se é econômica), e eu achei meio frágil. Mas ainda sim, vale muito pelo conjunto da obra.

2 comentários:

  1. 👏👏👏, O tipo de livro que todos deveriam ler. Precisamos mudar nossas mentes e assim mudaremos a sociedade.
    Ótima resenha.

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  2. Eu acho importante que livros com essa temática sejam mais divulgados. Eu mesma não tinha ouvido falar de Kindred, e é o tipo de história que eu gosto de ler.
    Ótima resenha, miga!
    Beijos!

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