Slider

[Resenha] A Febre do Amanhecer, Péter Gárdos

sábado, março 03, 2018


Companhia das Letras , 2017, 216 páginas, SKOOB | AMAZON

“Meu pai saboreava o doce. No céu, entre as nuvens apareceu um avião bimotor desenhando dois círculos de consagração. Devagarinho meu pai começou a sentir que de fato estava vivo.”

O jovem húngaro Miklós estava em um hospital Sueco tentando se curar de tuberculose, enquanto a Europa tenta se recuperar da tenebrosa Segunda Guerra Mundial. No país nórdico, o rapaz escreveu cento e dezessete cartas para moças conterrâneas – que também estava se recuperando nos hospitais do país que os recebeu – na esperança de encontrar uma esposa.

Mesmo tendo lembranças dos horrores vividos nos campos de concentração de Bergen-Belsen – que vale ressaltar não é o ponto alto da história – os médicos dão a ele uma segunda sentença de morte: os pulmões comprometidos de Miklós devem durar poucos meses. No entanto, o sobrevivente de vinte e cinco anos sente-se decidido quanto a viver, sobretudo após o ínicio da troca de cartas com Lili Reich – também húngara e presa à cama de um hospital por problemas renais – porque eles descobrem que podem, sim, seguir em frente mesmo depois de tanta dor.

“E se tiveres um filho, irmãozinho, ensina-o que a justiça não se faz com espingarda e revolver, Que o conserto do sofrimento do mundo não depende do alcance do míssil.”




Essa narrativa foi uma experiência interessante porque não esperava que ia gostar desse livro como gostei. Achava que seria mais um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, – admito, que isso é preconceito e nada legal – mas esse livro mexeu comigo, porque

1)É um livro escrito por um filho que conta a história de amor dos pais após a guerra. O autor explica como a mãe dele revelou depois de 50 anos como as coisas aconteceram.
OBS.: Não é spoiler, está escrito na parte de trás do livro. Sem contar que, se minha mãe fizesse isso eu teria ficado brava.

2)É uma história real, por mais que o autor tenha escrito de forma literária – com preocupação estética – você consegue ver a história de superação da guerra, das dificuldades e tristezas.

3)Os poemas são muitos fofos,  o Miklós usa a escrita para passar o tempo no dormitório/hospital, o que enriquece a narrativa e nos faz torcer ainda mais pelo casal, mesmo sabendo do futuro deles. Se você não gosta de poemas, não fique preocupado, são poucos, mas valem a pena!

4)A história tem uma antagonista, você vai ficar meio sem entender qual é a da Judit Gold. Mas, se tiver um pouco de paciência vai  tentar compreender os pensamentos dela, ou não.

5)O autor é realista. Mesmo que haja partes muito poéticas bem como uma escrita muito fluída, há partes em que ele é totalmente verdadeiro e real, como se trata da guerra (beira ao cruel), mas pode ficar tranquilo, o objetivo não é falar das consequências desastrosas da guerra, mas como depois de ter passado por tudo, ainda poder sobreviver a ela.



Outros pontos ainda me chamaram atenção porque os personagens vivem uma crise identitária, essa perspectiva é mostrada de forma muito sutil, mas que pra mim foi viva e totalmente genuíno. Sem contar com aquela sensação de estar no mundo da Claire de Outlander – a ambientação da história é a mesma – com as dificuldades de comunicação, e a espera infindável para receber notícias de outras pessoas por meio do jornal. Nada de internet e whats app, certo?   

Enfim, pessoal, espero que vocês tenham gostado da resenha. Por favor, deem uma oportunidade para essa história, porque é amor! Um beijo da Yana!

6 comentários:

  1. Oi Yana!
    Ah, você sabe que eu gosto muito dessa temática, de guerras (especialmente a segunda), mas fico meio perdida em meio a tentos livros, falando sobre coisas tão diversas que aconteceram. Esse livro parece ser tão sensível e com uma história de superação incrível. Ver que existe amor em meio à tanta miséria e tristeza não deve ser uma coisa fácil. Vou deixar ele anotado na minha lista, com certeza!

    Beijos

    Conta-se um Livro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente! Eu também fico muito perdida e querendo ler todos, mas também sinto um pouco de receio de ficar muito triste pelo passado, porque sou dessas hahaha

      Excluir
  2. Eu ainda não conhecia esse livro, mas fiquei bem curiosa... Nunca havia ouvido falar em uma história onde o filho falasse dos pais (principalmente da história de amor deles) e assim, não se preocupe porque também não sou muito fã de guerras. Mas pelo visto, esse não retrata as perdas e as lutas e sim, o que acontecia/aconteceu fora daquele ambiente.
    Adorei o fato de você dividir sua opinião em tópicos! Amei a resenha, de verdade.

    xoxo
    www.foradocontexto.com.br

    ResponderExcluir
  3. Olá Thaís, muito bom te ver por aqui! Eu leio livros que falam sobre guerras, mas confesso que não é o meu tema favorito da vida porque sofro demais junto com os personagens e com o pessoal todo hahaha Abala demais! Volte mais por aqui <3

    ResponderExcluir
  4. Nossa, se eu não lesse a sua resenha, nunca daria a atenção devida para esse livro, pq não curto muito temática de guerra, mas quando tem romance na trama me chama que eu leio =D. Adorei sua resenha, se bem que você sempre arrasa na escrita.

    Um Beijo,

    https://euaprendialer.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Olá Yana, como vai?
    uau, que livro é esse menina?
    Estou chocada com a história e louca para saber como ocorrerá o seu desenvolvimento, você me deixou super curiosa, porque gosto muito de livros que falem sobre a segunda guerra mundial, mesmo que seja em segundo plano.

    Beijos e Abraços VIVI
    http://vickyalmeida.blogspot.com

    ResponderExcluir

CopyRight © | Theme Designed By Hello Manhattan