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[TV e Cinema] Sessão da Tarde + Dia do Trabalhador

terça-feira, maio 01, 2018


Ultimamente, tenho pensado bastante sobre a influência dos filmes e livros nas nossas vidas. E percebi que algumas pessoas selecionam, de acordo com o próprio gosto, o que é bom e o que ruim, e nesse feriado de Dia do Trabalho pensei em trazer um filme de sessão da tarde (que muitos taxam de ruim) para refletir sobre o ambiente de trabalho de forma mais leve.

Por isso, nesse post vou falar de um filme que já vi mil vezes, mas que devido a um podcast que ouvi, esse filme passou a ser visto de outra forma pelos meus olhos, devido as características semelhantes discutidas que cabem perfeitamente em  O Diabo Veste Prada.


SINOPSE
Andy Sachs (Anne Hathaway) é uma moça recém-formada em jornalismo pela renomada Universidade Northwestern. O problema é que ela precisa de algum prestígio para conseguir o sonhado emprego jornalístico de respeito, para isso ela vai começar como assistente pessoal júnior de Miranda Priestly (Meryl Streep), a editora-chefe da revista Runway, dirigida a punhos de ferro pela a chefe implacável que arranca o couro dos funcionários. Apesar de achar ridícula a superficialidade da indústria da moda, ela precisa dar tudo de si no emprego que "um milhão de garotas se matariam para ter".


"Quem é essa?"

A aspirante a jornalista planeja aguentar o tratamento arrogante, humilhante e um tanto que explorador, aproveitador, de Miranda por um ano, na esperança de conseguir um emprego como repórter ou escritora em outro lugar. Primeiramente, Andy se atrapalha com o seu trabalho e se encaixa mal com seus colegas de trabalho, que fofocam sobre como ela se veste, sobretudo a assistente sênior de Miranda, Emily Charlton (Emily Blunt). No entanto, com a ajuda do diretor de arte, Nigel (Stanley Tucci), que empresta a ela roupas de grifes da Runway, Andy começa a se adaptar aos padrões da empresa. Com o tempo ela aprende gradualmente suas responsabilidades e começa a se vestir mais elegantemente para mostrar seu esforço e empenho para a posição. Ela também atende o atraente e jovem escritor Christian Thompson (Simon Baker), que se oferece para ajudá-la com sua carreira. Como ela passa cada vez mais tempo atendendo as chamadas de Miranda, surgem problemas em seu relacionamento com seus amigos e seu namorado, Nate (Adrian Grenier).

PERSPECTIVA

Esse filme aparentemente desprovido de qualquer discussão porque é um filme de “sessão da tarde” que fala sobre moda, além de retratar o trabalho de uma mulher norte-americana comum pode nos fazer pensar, não há de muito importante porque provavelmente acaba com um final clichê. No entanto, esse filme pode não ser tão despretensioso assim.

Eis os cinco motivos para isso:

1)Assédio Moral

A história central retrata a clara dificuldade de se relacionar com as colegas e a chefe devido à forma degradante que é o ambiente de trabalho. E por mais que essa seja uma história fictícia, pode-se afirma que isso é algo naturalizado no mercado de trabalho assim como é normal para as pessoas que assistem isso em um filme ou trabalham observando tais comportamentos.

O que é considerado assédio moral?


Foto retirada da página do slide (clique aqui) "Hostilidade, Silêncio e Omissão: O retrato do Assédio no Mercado de Comunicação de São Paulo"



Eu percebi que esse assunto tinha tudo haver com o filme quando estava ouvindo um podcast chamado “Assédio no Mercado de Comunicação” do Braincast (clique aqui para ver). E o Diabo Veste Prada mostra os rumores maliciosos dos colegas, o hábito de todos subestimarem a personagem, as atividades triviais e com certeza os prazos impossíveis de entregas.


 Andy "multitarefa"

2)Influência da Moda na Vida das Pessoas e seus efeitos

Eu estou tentando me desvencilhar dos preconceitos que tenho sobre o mundo da moda. Até porque a função da moda não é ser algo totalmente superficial e instrumento de padronização – apesar de exercer esse papel muito bem – também pode ser vista com outros olhos. Isso é mostrado de forma positiva e negativa no filme, pois quando alguém precisa comprar as marcas para se afirmar isso é um problema, mas o desejo do homem de fazer arte combinada com a estética é algo natural e existe desde sempre, mas é feita de forma diferente ao longo das épocas.

O filme também mostra o lado prejudicial da moda, pois Andy é duramente criticada por não se encaixar no local de trabalho, e para conseguir ser reconhecida como alguém eficiente foi necessário vestir-se de acordo com o código daquele local. No entanto, há vários pontos disso que marcam discussões ferrenhas como: Andy é desleixada ou ela não tem a obrigação de se vestir para agradar as pessoas?

Eu acredito não acredito que ser desleixada seja não se vestir da forma "normal" (da forma que tudo mundo acha correto), mas queiramos ou não se eu ir ao trabalho vestida como uma mulher do início do século XX causarei estranhamento ou até mesmo críticas. Será que uma pessoa é inadequada porque ela não se veste de acordo com o que todos acham bonito ou normal? E para ficar ainda mais complicado, acho que as padronizações de trabalho são algo real, não necessariamente danoso, e as vezes são boas para a pessoa e relações de local de trabalho. Uau, que papo tenso!

Esse assunto parece não ter nada demais para muitas pessoas, mas cabe muitas discussões. No 8 de Março, o podcast Mamilos falou sobre dia das mulheres, ouvi o podcast Beleza Para Quem? (clique aqui para ver) que tratou desse e vários outros assuntos interessantes!

"Você não tem nenhum estilo ou senso de moda"
"Eu penso que isso depende de..."
"Não, não. Isso não era uma pergunta."


4)Disputas cruéis no mercado de trabalho

Um dos maiores problemas de Andy no filme, é a disputa desenfreável – injusta e até mesmo corrupta – para conseguir aquilo que se deseja. Em boa parte do filme é discutido se uma pessoa deve fazer de tudo, inclusive atitudes corruptas para chegar aos patamares mais altos.


"Eu amo meu trabalho. Eu amo meu trabalho. Eu amo meu trabalho."


5)Como o trabalho pode interferir na vida pessoal de alguém

Andy se entregou tanto a esse trabalho, que prejudicou sua relação com seus amigos e namorado. É válido dizer que eles também tinham tantos preconceitos quanto ela sobre o mundo da moda, mas vamos ser bem sinceros? Quem não tem?
Na vida real, todos abrem mão de um tempo com a família ou de descanso para alcançar o sucesso profissional. A pergunta que fica é, qual é o limite para isso? Bem, Andy estabelecerá os limites que ela suporta.


"Detalhes da sua incompetência não me interessam."

Enfim, o grande objetivo desse post, é sobre uma discussão que tenho visto por aí, sobre filmes e livros que não acrescentam nada. E vou ser sincera, gostos existem, e nós lemos e assistimos o que quisermos, mas afirmar que aquilo que geralmente não gostamos, não faz parte do nosso gosto por falta conteúdo, para mim, é demais! Acredito que haja algo a se discutir por meio de qualquer coisa, mesmo algo polêmico como 50 tons de cinza (risos nervosos)

Claro que isso é a minha opinião, e você pode pensar diferente. Você conhece filmes ou livros taxados de inúteis que podem explicitar reflexões interessantes? Deixe nos comentários! Um beijo da Yana. 

Nunca viu o filme? Confira o trailer.




10 comentários:

  1. Nossa amiga, que arraso de post!
    Eu acho que tudo o que é produzido hoje, seja pela indústria cinematográfica, pelo mercado da música ou pela literatura tem objetivo de transmitir algum conteúdo. A minha opinião é que a imparcialidade não existe totalmente, afinal de contas, se você tem um posicionamento quanto a algo, mesmo sem querer você acaba falando a favor disso, então qualquer trabalho seu vai repassar, nem que seja só um pouquinho, a sua opinião.
    Eu não tenho palavras para descrever o quanto eu amo esse filme! Eu acho que ele ilustra muito bem essas questões que você levantou, que poderiam muito bem ser retratados em qualquer profissão, já que não estamos sujeitos a passar essas situações apenas quando se trabalha com moda - tenho vivido muitas dessas situações, e olha que eu ainda tô na faculdade - sem perder aquele quê de comédia romântica, que eu particularmente amo!

    Amei seu post!
    Beijocas

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    1. Com certeza amiga, sei que o mundo da moda não é nem de longe o único lugar em que isso acontece. Pelo contrário, há poucos ambientes em que isso não acontece, adoro a forma como a personagem principal cresce ao longo do filme, a despeito de tudo que viu ela conseguiu pensar e escolher o caminho que ela gostaria de seguir! Beijos, obrigada!

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  2. Oiii Yana

    Eu assisti esse filme há muito tempo mas me lembro que gostei bastante, achei que reflete bem o quanto realmente deve ser o mundo da moda, pois todo mundo sabe que o ego lá é grande e imagino que quanto mais alto o status maior o ego colossal, e acho que não apenas no mundo da moda ou das celebridades.
    O post ficou ótimo, aliás seu blog está maravilhoso, não conehcia e gostei muito.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Oi Alice, muito obrigada pela visita! De fato, quando descobrimos o lado negativo dos ambientes de trabalho ficamos muito alarmados, porque existe não só no mundo da moda, está em todo lugar. Fico feliz que tenha descoberto o blog, vou fazer uma visitinha para conhecer o seu! Beijo!

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  3. Olá Yana, tudo bem? Assim como você já vi esse filme várias vezes e mesmo sem ouvir o podcast já tinha percebido como as coisas são para a protagonista, na primeira vez que assisti percebi várias semelhanças com o meu antigo emprego, fiquei chocada na hora! Os prazos impossíveis que me davam, a hostilidade dos colegas com comigo, entre outras coisas me fizeram sair daquele emprego e hoje tenho uma vida mais saúdavel psicologicamente.
    A melhor parte do filme para mim é o final. Só tenho que te dar os parabéns por esse post incrível.

    Beijos e abraços
    http://resenhasdaviviane.blogspot.com.br/

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    1. Oi Vivi, pois é. Eu precisei da descrição de outras pessoas para lembrar do filme, mas a minha mãe mesmo (que é professora como você) já relatou diversas vezes essas dificuldades no ambiente de trabalho, e eu nunca tinha parado para pensar nisso. Daí, parece que ascendeu alguma coisa no meu cérebro quando ouvi esse podcast haha. Obrigada, fico feliz! Beijo!

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  4. Nossa, eu ameeei o post!
    Eu adoro esse livro, considero ele de uma reflexão muito grande, e mesmo assim manter o humor e a leveza para nos transmitir isso. Eu realmente não tinha pensado em todos esses pontos assim, você me mostrou que podemos ver muito mais nos filmes do que o que ele se mostra na superfície. E realmente, com todos os pontos expostos dessa forma, ficou muito mais fácil vê-los nesse filme, e é uma crítica enorme. Outro filme que é bem seção da tarde mas que mostra o como as pessoas ficam presas aos esteriótipos é Legalmente loira.

    Beijos

    Blog Conta-se um Livro

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    1. Obrigada Raquel! Você citou Legalmente Loira, sabia que a minha inspiração nesse post foi exatamente um post sobre os esteriótipos discutidos em Legalmente Loira? Foi bom você ter me lembrado disso, porque até hoje não assisti esse filme! Fico feliz que esse post tenha cumprido com a função que dei a ele, que é de mostrar que mais do que a superfície! Um beijo!

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  5. Menina que post é este...Eu gosto muito do filme, confesso que quando assisto algo é mais pra descontrair do que necessariamente ver a mensagem que é passada por trás. Vou contar um pouco a minha experiencia, faz dez anos que eu tenho como profissão estilista e por causa disso já criei diversas coleções para algumas empresas, confesso que quando ingressei no mundo da moda eu amava o que eu fazia, mas por causa de abusos dos patroes e de colegas de trabalho o encanto por essa profissão se perdeu e hj corro atras para me especializar em outra profissão. Ao ver esse post eu me identifiquei com a personagem, pq muitas vezes fiz algo que eu não quis fazer e na hora em que eu não precisava fazer, mas por medo de perder o emprego eu fiz, só que no final eu sai prejudicada e machucada. Hoje eu não faço mais isso, nenhum trabalho é mais importante que o meu bem estar.
    Adorei seu post vc sempre arrasa.

    bjo

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    1. Nossa que interessante Karol, não sabia que você tinha trabalhado nessa área! Muito obrigada por dividir sua experiência aqui nos comentários, foi muito bom saber disso! De fato, nenhum trabalho é mais importante do que nosso bem estar, fico feliz que você tenha conseguido encontrar seu próprio caminho, as vezes adoecemos muito porque não conseguimos colocar nossa saúde na prioridade com medo das consequências de sair do emprego e tals (o que também é bastante complicado). Um beijo!

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