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Feminismo. Auto aceitação. Plásticas. E sentimentos.

quinta-feira, agosto 23, 2018

Feminismo. Auto aceitação. Plásticas. E sentimentos.

Vivemos em uma época em que o feminismo está em alta e as mulheres estão cada vez mais encontrando sua voz e lutando por seus direitos. Se você leu essa frase e pensou que este é um texto cheio de balela e que feminismo não passa de modinha, me dê uma chance! Eu também já pensei como você…


Durante muitos anos vivi dentro de uma bolha familiar e de amizades onde o feminismo realmente não se fazia necessário. Desde criança sempre fui aquela menina mais “cabeçuda”, bem no estilo “ninguém manda em mim” e “não nasci pra obedecer homem”.

Nunca fui podada por isso, minha família sempre deixou que esses pensamentos vivessem livres dentro da minha cabeça. E assim eu cresci. Os pensamentos permaneceram. Comecei a namorar e meu namorado, atualmente noivo, também sempre aceitou esse meu jeito ser. Sortuda, não é mesmo?

Porém, ao mesmo tempo propagava expressões do tipo “não preciso do feminismo”, “feminismo é um movimento desnecessário, com causas desnecessárias”. Calma! Isso tem um motivo. Para mim, o feminismo era um movimento de mulheres nuas fazendo necessidades no meio da rua ou invadindo igrejas. Nada além disso.

E então a sortuda aqui, que sempre viveu em um mundo ideal onde não havia necessidade de feminismo, começou a estagiar. E meu Deus! Como foi difícil. Meu primeiro estágio eu precisava pegar ônibus e agora, no segundo estágio, eu faço uma caminhadinha de mais ou menos meia hora para chegar.

Por que esses estágios mudaram tudo? Porque foi nesse período que comecei a passar mais tempo na rua, mais tempo dentro de ônibus, a estar nesses lugares à noite (não que durante o dia nada aconteça, porque acontece sim. Ô se acontece) e principalmente: sempre sozinha.

Com essa mudança de estilo comecei a sentir olhares enquanto andava pela rua, o que já me incomodava muito. Aos poucos passei a perceber que os olhares vinham também acompanhados de “elogios”, que na verdade nada mais são que assédio. 

Nesse momento eu vi que preciso sim do feminismo! Como assim não posso andar pela rua sem ser assediada? Como assim posso falar para todos os cantos que “não nasci pra obedecer homem”, mas não posso fazer com que um homem, que nem me conhece, me respeite? 

Foi aí que o feminismo me ensinou que a culpa não é da minha roupa, não é do meu batom, que a culpa não é minha!!

Depois de entender isso, muita coisa mudou, comecei a pesquisar e entender mais sobre o feminismo e a colocá-lo em prática com muito mais frequência, porque na verdade, sempre fui feminista. Mesmo falando que não, falando que não precisava dele, sempre agi como feminista.

Feminismo. Auto aceitação. Plásticas. E sentimentos.

E aqui precisamos falar sobre um outro ponto que envolve o feminismo: a ditadura da beleza. Por anos, nós mulheres fomos expostas à um padrão de beleza inalcançável, impossível e completamente inexiste. Mesmo as modelos que foram a cara desse padrão, não se encaixavam nele em virtude de tantos tratamentos pelos quais as fotos passavam.

Com esta exposição prolongada, as mulheres passaram a fazer diversos procedimentos estéticos, cirurgias plásticas e  qualquer outro método em busca de se adequar a qualquer custo aos padrões.

Hoje em dia, muito lentamente, os padrões estão sendo quebrados, mulheres estão passando por transição capilar, estão assumindo suas curvas e amando mais como realmente são! O que é incrível!

Porém, há mulheres que mesmo com toda essa “libertação” que vem acontecendo não consegue aceitar um defeitinho ou outro que tem no corpo. Às vezes é algo muito pequeno, que os outros olham e nem percebem, que quando você comenta eles falam “nossa! Não dá nem pra ver”, mas incomoda. Quando olhamos no espelho, a primeira coisa que vemos é esse defeitinho e a autoestima vai lá embaixo.

Eu tinha dois desses defeitinhos. Não gostava do meu nariz, ele tinha um ossinho estranho e era grande, me incomodava muito. Também não gostava do tamanho dos meus seios, eram grandes e caídos. Então optei por realizar a rinoplastia e a mamoplastia de redução.

Na minha família, fui muito apoiada, porque eles entendiam a importância dessas cirurgias para mim. No entanto, fora desse meio eu ouvi vários “você não precisa disso!”, “você já é linda, pra que se arriscar fazendo cirurgia?” e o que mais me impressionou: “você gosta tanto de falar sobre feminismo e não se aceita como é?”.

Sim. Sou feminista. Sim. Sou contra o uso excessivo de cirurgias plásticas. Sim. Me aceito como eu sou. 

No entanto, nenhuma de nós é obrigada a se olhar no espelho, vez algo que não agrada e se resignar com aquilo pelo simples fato de termos que nos aceitar como somos. Temos que nos aceitar sim, mas também nos permitir mudar e buscar a versão de nós mesmas que mais nos agrada e faz feliz, independente de qualquer outro julgamento externo.

Seja feminista! Lute pelos direitos das mulheres! Vamos juntas mudar pensamentos e transformar um mundo num lugar melhor! Mas não deixe ninguém e nem nenhum movimento influenciar a imagem que você tem ou quer conquistar de si mesma! Só você sabe como se sente e como é afetada por isso! Só você tem o direito de decidir qual a versão de si mesma é a melhor!

Um comentário:

  1. Quanto mais o pensamento de que as mulheres devem ter os mesmos direitos dos homens, melhor será o mundo! O movimento de auto aceitação, feminismo e sustentabilidade é maravilhoso!

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