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E língua portuguesa, lá é coisa de se discutir em um livro?

terça-feira, setembro 11, 2018


Preconceito Língustico | Marcos Bagno | 2013 | Editora Loyola | 217 páginas | SKOOB
“Você vai levar um soco no estômago. Vai descobrir que é mais desinformado do que imaginava e perceber que seu intelecto não é lá grandes coisas, como você jurava que era.” Gaby Brandalise (autora de Pule Kim Joo So), em resenha postada no skoob


SINOPSE + O QUE EU ACHEI

Preconceito Linguístico é um livro desafiador.  Até porque o objetivo é discutir um tema espinhoso, os preconceitos repercutidos por trás da língua portuguesa. Nesse sentido, o autor se utiliza de vários artifícios para desmitificar certos conceitos cristalizados ao longo da história do Brasil. Então, pensamentos como “português é muito difícil” ou “brasileiro não sabe falar português” são ideias repetidas por nós com facilidade, mas nunca paramos para fazer uma análise disso.

“No fundo, a ideia de que “português é difícil” serve como mais um dos instrumentos de manutenção dos status quo das classes mais privilegiadas. Essa entidade mística e sobrenatural chamada “português” só se revela aos poucos “iniciados”, aos que sabem as palavras mágicas exatas para fazê-la manifestar-se. Tal como na Índia antiga, o conhecimento da gramática é reservado a uma casta sacerdotal, encarregada de preservá-la “pura” e “intacta”, longe do contato infeccioso dos párias.”

Devo dizer que esse livro é polêmico, porque o autor troca farpas com outros linguistas por meio de suas críticas e fala de uma forma até mesmo pessoal para apontar o que ele acredita que seja discutível. Dessa forma, muitas pessoas invalidam os argumentos do autor, afinal ninguém é obrigado a concordar com tudo.

Para mim, a leitura é importante exatamente pelo que a Gaby disse. Sempre pensamos que dominamos a língua muito bem e que somos maravilhosos, portanto quem não domina deve estudar mais e ponto final. No entanto a língua é muito mais do que é apresentado em sala de aula e não se pode ignorar tal fato. Taxar tudo de errado enquanto temos tantas variações do português no Brasil e em outros países é muito preconceituoso, e o autor questiona isso. Ainda assim banir todas as regras da língua (o que não é o que ele sugere) também não é uma opção viável para resolver os dilemas sociais que circundam o Brasil.

“Não existe nenhuma variedade nacional, regional ou social que seja intrinsecamente “melhor”, “mais bonita”, “mais pura”, “mais correta” que outra. Toda variedade linguística atende às necessidades da comunidade de seres humanos que a empregam. Quando deixar de atender, ela inevitavelmente sofrerá transformações para se adequar às novas necessidades. Toda variedade linguística é também o resultado de um processo histórico próprio , com suas vicissitudes e peripécias particulares.”

O que na verdade deixa esse livro ainda mais polêmico é o fato de que o autor propõe uma mudança profunda no ensino da gramática nas escolas, o que infelizmente eu não acredito que seja possível de acontecer em pouco tempo. As escolas atualmente não estão preparadas para receber essa transformação porque os preconceitos estão enraizados em nossa sociedade. Além disso, há vários pensamentos convergentes ou divergentes da ideia que ele propõe entre professores da língua portuguesa, sem contar que com esse livro você descobre que o que falamos está relacionado profundamente à política, estruturas sociais e até mesmo biológicas dos falantes bem como da sociedade em que se vive.

Enfim, não é um livro simples, mas é importante para cada pessoa que fala língua portuguesa, além de nós refletirmos, podemos ser críticos e ver além daquilo que pensamos sobre a nossa língua, o que posso garantir que é bem limitado!

O que você acha de livros mais desafiadores – e nem tão fofinhos assim – para leitura? Espero que tenham gostado da resenha, um beijo da Yana.

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