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O Nome da Rosa - Umberto Eco: Mais do que um romance policial da Idade Média

terça-feira, outubro 16, 2018


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Editora Record | 2016 | 560 páginas | SKOOB

“Muitos mortos, disse, mortos demais [...] A terceira trombeta adverte que uma estrela ardente cairá na terceira parte dos rios e das fontes. Assim vos digo, desapareceu o nosso terceiro irmão. E temei pelo quarto, porque será atingida a terceira parte do sol, e da lua e das estrelas, de modo que ficará escuro quase completo...”



SINOPSE + O QUE EU ACHEI

A aclamada obra O nome da Rosa de Umberto Eco tem início com a chegada de Adso e seu mentor Guilherme de Baskerville a uma abadia franciscana da Itália Medieval. Talvez essa entrada assuste muitos leitores, uma vez que a história se passa em 1327 e pode parecer cansativa. No entanto, ainda que as conversas nos soem estranhas, tudo começa a parecer um romance policial quando descobrimos a missão do frei Guilherme.

Inicialmente, ele foi enviado para investigar uma suspeita de heresia, mas essa perspectiva fica em segundo plano quando 7 assassinatos excêntricos acontecem de forma extraordinária no local. Depois da morte dos sete monges em sete dias, o frei Guilherme começa atuar como detetive, por isso busca provas, decifra símbolos secretos, analisa manuscritos e códigos trabalhando muito para descobrir a relação disso com o labirinto do mosteiro que na verdade é uma biblioteca.

Sobre a riqueza de detalhes

Essa história é muito rica, primeiro porque a história ocorre em um espaço amplo, ao contrário do que se pensa, a abadia possui uma igreja, casa de banhos, estábulos, dormitórios, cozinha, biblioteca e vários outros locais que podem guardar muito bem um assassinato bem montado.

Ainda assim, essa história vai além! Frei Guilherme é um homem religioso, mas também bastante estudioso. Isso significa que ele conhece os pensadores mais famosos, argumenta de forma estratégica e bem pensada, conhece as tecnologias do momento e está pronto para usar. Daí você pergunta, o que é uma tecnologia nessa época? Bem, frei Guilherme utiliza um instrumento que se aproxima muito dos óculos que utilizamos hoje, e isso na época era uma tecnologia porque permitia a leitura de manuscritos com letras pequenas – muitas vezes ilegíveis – para análise. Foi por isso que esse homem foi escolhido para investigar as confusões dessa abadia.

Embora o contexto da história pareça ser só um bando de assassinatos sem um culpado, a narrativa é rica ao mostrar que havia muitas divisões entre homens da igreja. As ideologias de cada grupo decerto os separava em vários segmentos o que gerava atritos, sem contar que havia disputas de poder entre eles envolvendo também reis assim como países diferentes, tudo de forma interligada. Como frei Guilherme é quase um doutor, ele conhece essas divisões e os mais variados contextos e claro que isso interfere na sua forma de atuação dentro da abadia. Ele sabia que havia lugares que seria difícil ter permissão para investigar – como o scriptorium que se assemelha a uma biblioteca – afinal a leitura, os manuscritos eram uma forma de manipulação e detenção de poder uma vez que poucos tinham acesso. É nesse momento que Jorge – um senhor idoso e cego – rivaliza com o nosso estudioso.

Sobre os personagens e suas peculiaridades

Cada personagem tem sua importância nessa narrativa. Conhecemos personagens muito icônicos aqui, como Severino herborista, sabe manipular remédios e venenos, e também Adso. Esse rapaz é também um monge em aprendizado que descobre não só lições sobre Deus mas ainda sobre o enlace carnal entre homem e mulher. Polêmico não? O outro personagem que eu não posso deixar de citar é Salvatore, um homem com hábitos esquisitos (ou sombrios?) também monge, que deixa uma marca tanto no filme quanto nesse livro.
Os personagens expõem muito seus pensamentos sobre a vida, ora muito reflexivos, ora meio loucos. Umberto Eco arrasou no imaginário da época porque ele mostra como um homem da Idade Média vivia, como pensava e como agia; tudo é muito real e palpável nesse sentido. A forma supersticiosa é mostrada, a interpretação religiosa aguçada, e os métodos de investigação do frei Guilherme brilham!

Sobre a escrita do autor e o final

Tudo bem, é verdade que essa história não é simples e fácil de ser lida. Pode ser considerada chata por alguns leitores, por causa dos detalhes e brigas de facções religiosas que se metem no meio da narrativa para deixar tudo mais tenso (e vezes mais sombrio), mas claro eu acho isso incrível! Para mim, o fato de haver muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo me deixam com sensação de que estou lá junto com eles, vivendo cada detalhe e passeando por um lugar em que nunca estive.

Então, O fato de frei Guilherme não poder entrar no lugar mais importante para investigação começa a lhe causar certo incomodo, além disso ele começa descobrir fatos interessantes sobre o labirinto de forma a conseguir entrar. O assassino está na abadia, e tem uma convicção incrível em relação aos seus atos, não é doido nem um assassino em série. É nesse emaranhado de micro histórias, investigações e tretas que vamos descobrir o que a abadia esconde, leia para descobrir!

Eu espero que tenha conseguido dizer o mínimo, dessa história sensacional que você precisa ler!

Um comentário:

  1. Oi Yana, tudo bem? Olha, eu tenho esse livro na estante há quase um ano e, ainda não consegui realizar a leitura dele por causa do tempo e, principalmente porque a edição que eu tenho possui alguns textos em latim que não estão traduzidos, eu precisaria de tempo para traduzi-los e compreender o significado de cada um.

    Eu gostei muito da sua resenha porque ficou simples e muito compreensível, essa história é bem complexa e você explicou tudo com muito facilidade e, principalmente aguçou a minha curiosidade para ler o livro. Eu amo livros que me fazem pensar na história e em tudo o que está acontecendo e, não entrega quem são os vilões e heróis logo no inicio da trama, porque assim como você eu me imagino dentro do livro e vivenciando cada uma das situações.

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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