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Um livro diverso: sobre amor, e violência, e racismo e muita polêmica

sexta-feira, novembro 30, 2018




Galera Record | 2017 | 378 páginas | SKOOBAMAZON




SINOPSE
Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos.
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

" Você e seus irmãos são algo pelo qual viver e algo pelo qual morrer, e eu faria o que fosse preciso para proteger vocês. - Ele beija minha testa. - Se você estiver pronta para falar, amorzinho, fale. Estou com você."

O QUE EU ACHEI

Em primeiro lugar, eu não me sinto preparada para falar sobre esse livro. Está sendo um desafio escrever e foi um desafio lê-lo. Eu demorei muito para conseguir ler porque a cada coisa que acontecia eu precisava digerir o que estava sendo dito para depois continuar a leitura de forma que isso tornou a leitura um processo difícil e longo. Mas não chato, nem entendiante. No entanto, ainda assim não foi fácil. Ainda assim, foi o livro que mais coloquei setinhas em toda minha vida.

Starr é uma garota negra que vive no gueto. Garden Heights era o local em que a personagem cresceu vendo a barbearia do Sr. Lewis, a mercearia do pai dela, Maverick assim como o salão de beleza, e Khalil. Essa realidade batia de frente com quem ela era na escola Williamson sendo que ela agora era outra pessoa, não a Starr que fala gírias do gueto. Mas, a garota que aceita até a amiga de Hailey - que quer tudo do seu jeito – para ser parte do lugar, dessa forma ela e Maya passam por maus bocados.

No entanto, os dois mundos diferentes de Starr começam colidir quando Khalil resolve trazer a garota de volta para casa depois de um tiroteio na festa em que estava. Tinha muito tempo que os dois não se viam, por isso riam e conversavam no carro ao som de Tupac. Esse foi o último momento dos dois juntos, porque depois disso um policial abordou os dois e atirou em Khalil de forma que o garoto morreu.

O grande problema da morte de Khalil é que: eles só foram parados porque eram negros – afinal não estavam correndo com o carro nem nada – e Khalil só recebeu o tiro porque o policial pensou que como eram dois moradores do gueto, provavelmente eram bandidos e estavam aprontando alguma. Já começa com essa polêmica. O ponto que me atingiu nessa obra é sempre julgamos um lado dessa história. No entanto, eu me questionei.
Se eu fosse o policial, será que eu não pensaria a mesma coisa e não atiraria? Será que posso julgar esse policial por uma ação que mesma teria?

Em contrapartida, me coloquei no lugar de Starr. Se eu tivesse no carro com meu amigo de infância, sendo nós dois moradores de um bairro vulnerável...

Será mesmo que temos que ser abordados pela polícia por causa da  nossa cor? Será que devemos ser considerados bandidos? E a pergunta mais polêmica de todas: Será que o fato de eu não ter referencias e oportunidades de crescimento como os outros deve me dar uma sentença de morte?

Talvez lendo essas perguntas você pense: Poxa, que livro chato. Esse livro vai falar sobre esse assunto o tempo inteiro? Não! Angie Thomas  foi maravilhosa e falou de tudo! Temos nesse livro, não só o vislumbre do movimento negro contra a morte de pessoas negras que vivem em local de vulnerabilidade, mas também a história da personagem bem como os personagens secundários. Todos eles têm uma relação verdadeira com a protagonista e até mesmo difícil. Como Seven – meio irmão da personagem – vivendo entre duas famílias. Em um momento com seu pai, a madrasta, Starr e Sekani. Em outro vive com a mãe Iesha que mora com King (o traficante do bairro, da gangue King Lord), além de suas meias irmãs Kenya e Lyric. Além disso temos Tio Carlos, DeVante, a vó de Starr, e tia Pam apoiando a família em momentos desafiadores e permanecendo junto. Devo dizer que é tocante a forma como a família, os amigos, e o pessoal do bairro estão dispostos a se ajudar, sobretudo nos momentos de aflição.


"O que você vê nele? De verdade? Todos os caras de Garden Heights iam ficar com você na mesma hora e você procura o Justin Bieber?"

Acabou? Não mesmo! De quebra temos um pouco de romance. Afinal, Starr conheceu Chris na escola, e para todos que vivem no bairro dela, a questão de Chris ser branco é um grande problema. Geralmente não levamos muito a sério o status de relacionamento interracial, mas é comum ver que alguns expõem seus preconceitos quando conhecem algum casal dessa maneira. Na verdade, a problemática é que Starr não consegue dividir com o namorado os conflitos do local onde vive, e o pai dela não pode nem sonhar que esse relacionamento existe!



Bem, para finalizar devo dizer que o livro é cheio de referências sobre o movimento Panteras Negras, Black Power, Tupac, Beyoncé, Um Maluco no Pedaço e várias outras. Ainda que esse livro seja difícil, ele é real, é tocante, é verdadeiro, e diverso!

Enfim, leia esse livro maravilhoso! Antes de ir, devo dizer que a Galera Record fez uma playlist baseada no livro (clique aqui), mas também recomendo a playlist feita pela própria Angie Thomas (clique aqui). Espero que vocês tenham gostado da resenha. Um beijo da Yana.

8 comentários:

  1. Olá Yana, eu estou muito feliz em ver a sua resenha desse livro, porque eu realizei a leitura dele faz um ano! Confesso que fiquei completamente apaixonada e triste com os acontecimentos do livro, somos negras e passamos por vários preconceitos raciais e, a protagonista consegui superar tudo isso com muito orgulho.

    Uma parte que eu gostei muito na história, foi quando a Star descobre que alguém próximo a ela é racista e, fica chocada com a situação! Eu tive uma experiência parecida com a dela e, não consegui conter a lagrimas e a indignação. Adoreeeeeeeeeei com todo coração, a escrita da autora e a sutiliza nos detalhes.

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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    1. Ahhhh que legal! Eu não lembro de ter visto uma resenha sua, mas esse livro é realmente sensacional! É triste como há pessoas que não acham que ser racista seja um problema, conheço pessoas próximas que falam abertamente sobre isso inclusive como se não fosse nada demais. Eu também adorei esse livro e também da sua visita. Abraços.

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  2. Esse livro é muito importante para mim, porque foi com ele que percebi como o racismo é uma coisa que precisa ser resolvida e julgada! As pessoas tem um problema que acha que tudo que é errado/polêmico deve ser deixado num canto, ninguém toca no assunto e finge que ta tudo bem.

    Agora que o filme será lançado, estou muito ansiosa para ver como vão representar os personagens <3

    Duda ( www.eduardafass.wordpress.com )

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    1. Compartilho da sua opinião Duda. Já ouvi várias pessoas dizendo que o problema será resolvido se todo mundo parar de falar sobre o assunto como se algo simples e pequeno. Enganam-se essas pessoas achando que um problema como esse (ou qualquer problema complexo que temos em sociedade) será resolvido dessa forma. Também estou super ansiosa pelo filme, o trailler me deixou super curiosa! Obrigada pela visita, um beijo <3

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  3. Essa é a segunda vez que vejo uma resenha desse livro e não sei nem descrever o quanto quero conhecer essa obra. Deve ser sensacional!

    www.kailagarcia.com

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    1. É sensacional mesmo Kaila. Espero que você goste bastante quando ler! Um beijo <3

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  4. Eu li a resenha desse livro em outro blog e desde então estou louca para poder ler. A história me prendeu e agora não consigo mais me soltar hahaha.
    Meninas vocês estão de parabéns pelo trabalho maravilhoso nesse blog, desde de layout e organização até cada post e fotografia. Já estou seguindo o blog para não perder nenhum post de vocês, estou realmente encantada com esse espaço <3

    Blog Covil Dourado | Facebook

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    1. Oi Jennifer, muito obrigada pelo carinho! Pode deixar que passarei no seu blog para seguir de volta e espalhar amor em forma de comentários lá. Espero que você goste do livro, um beijo!

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